Um velho garoto

Sou como menino de cabelos grisalhos, uma criança que deixou a barba. Peço a chuva e não quero só ouvir seu som caindo sobre o telhado. Quero brincar também na enxurrada, levando você de mãos dadas comigo. Quero ouvir seu riso, sentir seus dedos apertando os meus.

Quero olhar nos seus olhos e saber que está gostando de ficar balançando os braços. Sinto ainda agora como se a tivesse conhecido há tanto tempo e causado má impressão pelo atrevimento de meu olhar em suas pernas cruzadas.

Um riso quase escapa neste sorriso que move meus lábios. Lembranças inteiras passam pela minha mente. Relembrando outros passeios, momentos diferentes, só nós dois ou com amigos. Corri riscos ao brincar com seu sentimento.

Volto a ser o garoto que mentiu a idade para parecer mais velho e ter uma chance com você. Era comum que os homens fossem um pouco mais velhos. Comecei uma brincadeira… que se tornou um caso sério.

Reviver nossa história me traz felicidade ao peito. Imagine que ainda me pergunto por que larguei sua mão e fui andar sozinho por caminhos que nem me lembro mais.  E quando penso que também buscou um novo rumo para sua caminhada, me assusto e sinto algo como ciúme e não gosto de seguir na imaginação.

Quando você escreveu num presente, que me amava, supus que fosse apenas uma frase romântica para um dia especial. O tempo me mostrou que estava errado. Vivemos juntos de forma tão intensa que às vezes me pergunto como foi possível. E por isso, já com as marcas e cicatrizes desse tempo todo, ainda sinto prazer em leva-la  pela mão, abraça-la forte, beijar sua boca e dizer que é “minha menina”!

Antenor Ribeiro

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