O sabor inesquecível

Quantas vezes procurei em outras bocas o sabor do seu beijo! Como era doída a sua ausência. E sei que fui o responsável por ter se afastado, magoada como estava. Fui irresponsável e inconsequente. Me perdi na estrada larga do pecado e não medi consequências. Me vi de repente sem motivo para ser feliz. O que fazia alimentava apenas a carne, o desejo, mas não preenchia o coração.

Foi um tempo ruim, que nem gosto de lembrar. Vivi com intensidade as paixões que me foram proporcionadas e o vazio não era preenchido por ninguém, pois você estava lá, naquele cantinho só seu… onde eu a abandonei, pensando que depois poderia pegar de novo.

Quando vieram me contar que estava para ficar noiva de um outro que se aproveitou da minha ausência, a ficha caiu. Percebi que não podia permitir que isso se tornasse realidade. E com a confiança que sempre tive, mandei mensagem para marcar um encontro. Lembro que você escreveu: “Esquece. Siga sua vida”. Fiquei sem norte… e insisti no whatsApp. Você me bloqueou. Mas isso é vida virtual. Queria ouvir você me mandar embora olhando nos meus olhos. Por isso fui lhe esperar à porta do seu trabalho. E não teve jeito de você não me ver. Quis me ignorar, mas lhe estendi a mão para cumprimentar. Senti que havia um tremor em seus dedos e criei coragem para perguntar se não me amava mais. Sua voz tremeu… e aproveitei para dizer que fui um tonto fazendo tanta coisa para me afastar de quem não quero longe da minha vida.

E de repente o carro parou, ele desceu, foi até você, me ignorando e perguntando se eu a estava perturbando. Você disse que era apenas um amigo que reencontrou e já estava de saída. Entendi que havia perdido quem amava. E eu só soube dizer “foi bom rever você!”

Antenor Ribeiro

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