Líder das FARCs é morto

Morte de líder das Farc gera clima de triunfo na Colômbia

Da BBC Brasil

Brasília – Poucas horas depois do anúncio da morte de Alfonso Cano, líder número 1 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o fato se transformou no principal destaque da imprensa colombiana. Jornais, agências de notícia e emissoras de televisão exibem fotografias e imagens do corpo do guerrilheiro morto e especulam sobre o impacto da morte dele para o grupo armado e sobre possíveis nomes para assumir o lugar deixado por Cano.

Analistas ouvidos pela BBC Brasil avaliam que a postura de triunfo, tanto na cobertura da imprensa como nas manifestações da opinião pública, refletem os conceitos que foram construídos pela política de segurança no governo anterior, de Alvaro Uribe, e mantida por Juan Manuel Santos.

“Desse ponto de vista cimentado por Uribe, de que as Farc são um grupo terrorista que precisa ser eliminado, a morte de Alfonso Cano é muito significativa. Representa o triunfo da política de segurança e da força militar do governo”, disse o escritor e especialista em conflitos, Victor de Currea Lugo.

Segundo ele, outro fator que contribui para que a opinião pública comemore a queda de Cano é o fato de a guerrilha ter se afastado de seus ideais políticos e se envolvido com o narcotráfico e com ações terroristas.

 

O líder máximo Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Guillermo León Sáenz Vargas, também conhecido como “Alfonso Cano”, foi morto ontem (4) durante uma operação do Exército colombiano no sudoeste do país, informou na madrugada deste sábado o ministro da Defesa Juan Carlos Pinzón.

Durante coletiva de imprensa na capital Bogotá, Pinzón afirmou que a morte do líder guerrilheiro ocorreu “durante uma operação iniciada há vários dias, mas que se materializou a partir das 8h30 de sexta-feira”.

O ministro ressaltou ainda que a morte de Cano ocorreu durante um intenso combate entre soldados do Exército e membros da guerrilha na selva do departamento de Cauca.

Mais cedo, as autoridades já haviam anunciado a prisão de “El Indio Efraín”, chefe da segurança de Cano, durante a operação em Cauca.

Com “El Indio Efraín” foram detidos outros três membros da segurança do chefe das Farc, e no local da ação morreram uma mulher e o operador de rádio do grupo, conhecido por “El Zorro”.

Cano era o substituto do chefe e fundador das Farc, Manuel Marulanda (Tirofijo), que morreu de ataque do coração em março de 2008.

Em setembro de 2010, Jorge Briceno (Mono Jojoy), número dois das Farc e chefe militar da organização, foi abatido pelos militares.

Fundada em 1964 e hoje com cerca de 8 mil combatentes, as Farc também perderam outros dois dirigentes históricos nos últimos anos: Raul Reyes, morto em um ataque aéreo contra o território do Equador, e Ivan Rios, assassinado por outro rebelde. Os dois integravam o bureau político das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

 

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