Desejo

A gente sempre se encontrava em frente à sua casa. Quando chegava ela já estava esperando por mim. Um vestido simples ou saia e blusa, fazendo com que o realce fosse seu rostinho de menina, com aquele cabelo curto que tantas vezes tive em minhas mãos.

Ela dava um jeito para ficarmos apenas os dois naquela rua que virou avenida, mas nos permitia alguns amassos no portão.

Os beijos iam ficando mais intensos naquele dia em que a gente combinara se encontrar. Encostada no muro ela ficava pegando em minha mão. Muitas vezes demos uma volta no quarteirão, como tantos namorados faziam.

A lua parecia cúmplice para meus propósitos naquela noite. Trocamos um beijo demorado e minha mão atrevida procurou maior intimidade. Seu seio reagiu ao contato e isso me excitou ainda mais. Falei baixinho ao seu ouvido e sua pele arrepiou. A outra mão buscou sua coxa e ao encaminhar-se para onde desejava, ela reagiu. Foi um não em meio a um gemido. E eu queria. Queria mais do que ela pensava consentir. Chamei para sairmos dali, ir para onde meu pensamento já estava. E ela disse apenas: “Não posso”!

O beijo se interrompeu… Olhei bem dentro de seus olhos e chantageei, dizendo que era tudo que desejava para nós dois naquele dia. Ela se aconchegou ao meu peito e o contato de nossos corpos trazia mais excitação.

Sabia que ela me desejava também. E insisti para irmos completar aquele desejo de nós dois. Ela repetiu que “Não”, mesmo que de forma tênue…

E fiz meu jogo, dizendo que então era melhor terminarmos tudo. E já me afastei, fazendo menção de ir para casa. Foram apenas segundos… e ouvi que ela chorava. Disse baixinho só para eu ouvir: “Não vá…eu vou com você”!

Foram segundos de reflexão, segurando o lado canalha que queria tanto aquela primeira vez… certo de que, se acontecesse, poderia se transformar em amor aquele desejo louco de uma noite linda.

Antenor Ribeiro

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