Caminhoneiros mantém protesto

A paralisação nacional de caminhoneiros deflagrada na segunda-feira (21) teve adesão da categoria em todos os estados do país, com maior ou menor repercussão e vem sendo mantida em boa parte do Brasil. Segundo a  Associação Brasileira de Caminhoneiros (ABCam), houve participação maior em 17 unidades da federação. Foram realizadas manifestações diversas, desde pontos de concentração de motoristas à interdição de rodovias. Já levantamento a Polícia Rodoviária Federal apontou mobilização maior, em 21 estados.

A categoria alega que os caminhoneiros vêm sofrendo com aos aumentos sucessivos no diesel, o que tem gerado aumento de custos para a atividade de transporte. Segundo a associação, o diesel representa 42% dos custos do negócio e 43% do preço do combustível na refinaria vem do ICMS, PIS, Cofins e Cide.

 

A repercussão é grande em todo o país e vários setores começam a acusar os reflexos do movimento. Centros de abastecimento e distribuição enfrentam crise com a falta de mercadorias e em consequência negócios deixam de ser feitos.

Postos de combustíveis começam a ficar sem diesel, gasolina e álcool para venda. Os comerciantes, aproveitando o momento, também elevaram os preços muito além do percentual de reajuste concedido pelo governo para o produto nas refinarias. Mesmo assim os motoristas continuam procurando postos e em grandes cidades acontece maior desabastecimento, que começou a gerar tumulto na tarde desta quarta-feira, 23.

Já há ações na Justiça para tentar uma paralisação do movimento dos caminhoneiros. Em alguns estados já foram concedidas liminares em ações para que ocorra a retirada dos caminhões que bloqueiam rodovias.

Continuidade

Inicialmente a ABCam enviou um ofício ao governo federal sobre as reivindicações e, nao tendo retorno, convocou a paralisação que começou na segunda-feira. De acordo com o presidente da associação, José da Fonseca, o movimento teve início pela manhã em três estados – São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo – e ganhou força ao longo do dia.

O governo Temer convocou reunião e desta surgiram notícias a respeito de redução no preço de combustíveis, sem contentar integralmente a categoria. Estudos foram determinados para se verificar a possibilidade de redução das alíquotas de PIS e COFINS sobre os combustíveis, assim como a CIDE.

A população brasileira ainda anestesiada pelos últimos acontecimentos do país, com cassação de uma presidente, posse de um vice-presidente sob suspeita de corrupção, assiste a atos de uma administração que também mascara números da real economia do país. A inflação, aparentemente contida, não condiz com os reajustes concedidos a salários ou produtos sob ordenamento do governo. O assalariado se queixa da redução do seu poder aquisitivo e não encontra na política governamental nenhum aceno de mudança. Porém, observa estarrecida que são concedidos aumentos diários aos combustíveis, numa nova política do setor, que em muito supera os números da inflação oficial, sob alegação de acompanhamento do mercado internacional do petróleo. E sendo hoje autossuficiente na questão petrolífera, adicionando ainda álcool à gasolina comercializada no país, a estatal que controla o setor, assaltada nos últimos governos por uma quadrilha que teve participação dos partidos que compõem o governo, o Brasil poderia praticar uma política de preços mais condizente com a situação de caminhoneiros, transportadores e do setor que depende de alinhamento dos seus preços ao frete cobrado.

A ação vista nas estradas do país, tem o apoio também da maioria dos proprietários de veículos que usam gasolina ou álcool, pois se sentem atingidos da mesma forma com o que ocorre com o setor. A impressão que fica, para grande parte da população, é de que novamente os brasileiros estão pagando a conta da corrupção desenfreada que quase faliu a Petrobrás. E o consumidor interno se revolta ao saber o preço negociado pela Petrobras para exportação de seus produtos para países vizinhos.

Antenor Ribeiro – Destaknews

Com Ag. Brasil

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