Amor que sobrevive

Às vezes ouço nossa música e as lembranças vão chegando docemente. Como se estivéssemos naquele táxi, naquele lugar onde o desejo nos levou pela primeira vez. E volto ao dia em que a vi sentada em uma mesa atrás de onde eu estava trabalhando, provocante com um vestido curto, ou naquele campo de futebol onde éramos três, ficamos apenas os dois e tudo começou.

Lembro de nosso primeiro beijo, no escurinho do cinema, nossos olhos, extasiados, enquanto conversávamos naquele bar onde ficamos por um bom tempo conversando. Você me parecia tão madura, tão experiente, me fascinava com sua segurança, sua liberdade. Eu era apenas um menino crescido, embevecido pela conquista, me deixando levar pelo sentimento que começava a existir.

18 ou 23? Pouco importa a cronologia, se o amadurecimento já existia, como naqueles poucos fios brancos que já apareciam no cabelo. Tempo de namorar na esquina, no Bosque, no ônibus, na rua da Lua, sem se importar se era madrugada ao voltar solitário para casa, deixando-a, mas com vontade de ficar, para completar tudo aquilo que às vezes deixávamos pela metade.

Foi num dia 12 de Junho que deixamos o amor falar mais alto. Sua voz me falava baixinho o que sentia naquela nossa primeira vez. Uma só carne, na comunhão perfeita de nossos corpos. O prazer compartilhado nos uniu ainda mais. Nossas bocas se juntavam e pareciam não saber mais viver uma sem a outra. As palavras eram até desnecessárias.

O melhor, porém, é saber que ainda mantemos a chama acesa, tanto tempo depois. Ainda repetimos o que ficou em nossa memória. Vivemos instantes iguais, pois o amor que sentimos é chama que não se apaga e mantemos acesa para celebrar cada novo dia, nova noite, novo encontro! Que seja sempre assim… minha namorada! Te amo!

Antenor Ribeiro

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