Sócios ocultos da Iguaçu incluidos em ação

Em Londrina, Norte do Paraná, uma construtora lesou centenas de pessoas que adquiriram unidades lançadas para construção na cidade. Quando o possível golpe foi descoberto a Justiça foi acionada e logo se descobriu que a Construtora Iguaçu tinha sócios ocultos. Com o segredo de Justiça protegendo os nomes, nem todos tiveram conhecimento de quais seriam os envolvidos, ao lado dos donos aparentes da empresa.

Agora, com uma ação trabalhista em curso, o juiz da 7ª Vara do Trabalho de Londrina, Mauro Vasni Paroski, incluiu na ação trabalhista de funcionários contra a Construtora Iguaçu do Brasil, mais dois réus. O empresário Guidimar Guimarães e a empresa dele, Guidimar Guimarães Consultoria e Desenvolvimento de Negócios Ltda foram arrolados como “sócios ocultos” da Iguaçu do Brasil, na investigação de fraude na construção de condomínio e casas em Londrina e que teriam lesado mais de 650 famílias e dado prejuízo superior a R$ 100 milhões.

A decisão, que foi publicada na última quinta-feira (14), atende a medida cautelar protocolada pelo Sindicato dos Trabalhadodres da Construção Civil e do Mobiliário de Londrina e Região (Sintracom-Londrina), como forma de garantir o pagamento dos salários atrasados e verbas rescisórias de 56 trabalhadores demitidos em abril deste ano, após as denúncias de fraude.

Com isso, ocorre a revogação do segredo de Justiça, decretado durante a instauração da ação, revelando os nomes de dois sócios que antes estavam ocultos e que estavam sob investigação judicial.

O advogado do Sintracom, Jorge Custódio, disse que a inclusão dos dois nomes se deve a indícios de participação do empresário e sua empresa nos negócios da Iguaçu do Brasil. “No despacho do juiz, Guidimar Guimarães e a empresa dele também seriam participantes dos negócios da Iguaçu. No entanto, o juiz abriu prazo de 15 dias para que ele possa apresentar a sua defesa e também para que o sindicato apresente testemunhas, documentações necessárias também para que nesta instrução possa confirmar a inclusão que já foi feita, mas comprovar de fato que estes dois sócios ocultos seriam responsáveis pelos direitos trabalhistas”, afirmou em entrevista à Rádio Paiquerê AM.

As ações estão tramitando normalmente e, segundo Custódio, a ação cautelar foi para bloquear o valor de R$ 500 mil em garantia no caso de execuções. “Não temos ainda informações de bloqueios das contas ou de bens do grupo Iguaçu do Brasil, incluindo aí o sr. Carlos Roberto Campos de Oliveira [ex-prefeito de Mandaguari], que seria o sócio e que estaria sendo responsabilizado na Justiça e que também é responsabilizado ou solidário nas empresas que compõem o grupo Iguaçu”, salientou o advogado.

O próximo passo do Sintracom-Londrina agora é solicitar o bloqueio de bens para assegurar as indenizações trabalhistas que podem chegar a R$ 1 milhão. As medidas apontadas foram apenas na ação na esfera trabalhista. Já a revelação dos nomes dos sócios ocultos servirá de base para que as ações na esfera cível, que avalia a questão de indenizações das pessoas lesadas na compra de imóveis da construtora.

Em abril deste ano, o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina encaminhou à Justiça o primeiro inquérito sobre a Construtora Iguaçu do Brasil, acusada de fraude na venda e construção de condomínios e casas. O proprietário da empresa e ex-prefeito de Mandaguari, Carlos Alberto de Campos Oliveira, e outras sete pessoas – sendo seis funcionários da empreiteira e um cartorário – foram indiciados por formação de quadrilha e estelionato, que pode ultrapassar os R$ 100 milhões.

Com informações da Rádio Paiquerê e do site odiario.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *