Sindicância da CMTU é farsa, diz agente

Maracutaia na CMTU

A denunciada indústria da multa está mais do que comprovada na CMTU. Não se aluga equipamento de radar móvel para fazer campanha educativa de trânsito. E não há registro de campanha para educar os motoristas em Londrina, com distribuição de material impresso ou abordagens preventivas em vias que viriam a ser fiscalizadas. O que ocorreu, repentinamente, foi a assinatura do contrato para aluguel do equipamento, que custa um elevado valor mensal, que sairá do bolso dos multados.

Mas há um esquema por detrás disso. E foi denunciado. Por isso foi instaurada uma sindicância na companhia, após uma denúncia que chegou ao Ministério Público. E, mesmo com o MP surpreendendo uma integrante da comissão que agia como advogada da CMTU, alertando para a possibilidade de um funcionário permanecer em silêncio, quando deveria prestar informações, essa comissão permanece ativa. Mas, segundo um agente de trânsito, que não quis ser identificado, revelou em entrevista à RPC TV na quinta-feira (8), a sindicância aberta pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para investigar denúncias de cancelamento irregular de multas é uma farsa. “Eles estão querendo saber quem foi denunciar (ao Gaeco). Não estão preocupados em encontrar a verdade”, contou.

O agente confirmou o esquema de cancelamento de multas e disse que, desde a implantação de aparelhos eletrônicos para a aplicação das autuações, o número de fiscais no trânsito foi reduzido pela companhia. Já a arrecadação, aumentou. “Essas máquinas facilitaram o trabalho do agente. O objetivo sempre foi arrecadar. Dessa administração, não da empresa”, afirmou em entrevista à TV.

Ainda conforme o agente, os equipamentos eletrônicos dificultam possíveis tentativas de fraude. No entanto, ele confirmou que, no ano passado, alguns fiscais foram pressionados a cancelar multas. “Cancelar é possível. O único problema é que se você cancelar um auto, vão saber que foi você. Eles se aproveitam do pessoal que está em período de experiência, aí chegam nesses agentes e pedem para cancelar. Muitas vezes até obrigam.”

Investigação do MP

Na manhã da quinta-feira o presidente da CMTU, André Nadai, e o diretor de trânsito, Wilson de Jesus, prestaram depoimento no Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os dois alegaram desconhecer o suposto esquema de cancelamento de multas.

 

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