Qualquer um de nós

A vida anda muito agitada.Nos dias atuais todos nós temos uma batalha constante para garantir o sustento da família. Homens e mulheres se misturam na busca diária pela sobrevivência. A correria começa no raiar do dia. Muitos se levantam ao primeiro canto do galo e já iniciam uma busca que nem sempre resulta em sucesso. Às vezes fico observando pelas ruas os ônibus que passam lotados, as calçadas apinhadas de pessoas, os carros que vão para direções diversas, e tento compreender o que se passa com cada um destes personagens.

A família toda se envolve nesta história. Em casa, o filho que ficou dormindo pergunta para a mãe que arruma a mesa, cadê o pai que ele não viu desde o dia anterior. É que quando o pai chegou ele já estava dormindo, vencido pelo cansaço da escola, das brincadeiras.

A mãe explica que o pai já foi para o trabalho, buscar o sustento, garantir o aluguel, ou o pagamento da prestação, a compra do mês, a água e a luz.

Mas ela também suspira,parecendo cansada. Mulher jovem, bonita… mas que gostaria de ser olhada hoje de forma diferente. Talvez como a dama… ao lado do rei e do valete, naquelas cartas que o marido segurava nas mãos e lhe mereciam tanta atenção. Ele jogava com os amigos, mas quando lhe dirigia a palavra sequer olhava em seu rosto.Muitas vezes ele sai, até sem dizer onde vai, pois ela já deduz qual seu destino, quando ele arruma a chuteira, o meião, o calção e aquela camisa do time do coração.

Ela sabe que ele vai demorar, pois depois da pelada sempre tem uma reunião no boteco. Se ganhou,para comemorar; se perdeu, para arrumar uma explicação, discutir o pênalti que o juiz não deu.

Ela gostaria de ter a mesma atenção daquela bola, para a qual ele reserva sempre o seu final de semana.

Tem o homem de negócios,que deixa em casa uma família insatisfeita, mas se senta com prazer no carro onde tem motorista particular esperando, para levá-lo a diversos compromissos.Tem uma agenda lotada. Reunião de negócios, visita à fábrica, viagem para fechar um grande contrato, contatos com futuros sócios, almoço entre uma coisa e outra, telefonema pra casa a fim de avisar que não vai voltar hoje, pois precisou pegar o avião no meio da tarde e…

E o filho tem o olhar tão triste, pois o pai está ausente de sua vida. Está perdendo o período mais bonito da infância desta criança que queria tanto ser levada pela mão, numa simples caminhada em volta do quarteirão, exibindo orgulhosamente o seu paisão.

Outro dia um personagem destes se viu, assustado, numa maca, entrando no hospital, pois de repente parecia que tudo ia acabar. Foi preciso chamar o cardiologista urgente. Apressão subiu a 18, o coração parecia querer sair pela boca. E daí sua vida passou como num videotape, em segundos, mas mostrando os últimos anos e todo o desperdício a que se permitiu. Deixou de sair com a esposa, de ir a um cinema,de namorar naquele dia de chuva, de visitar os pais velhinhos, de receber amigos em casa e jogar conversa fora, relembrando os bons tempos da juventude. Esqueceu o aniversário do casamento. Percebeu que o filho já fala em sua futura profissão e está com uma aliança de prata, pois cansou de ficar e agora namora uma vizinha, menina de boa família, que ainda não o chamou de sogro, por que otrata de “tio”.

Teve um outro que trombou com seu passado recente, em viagens que fez, namoradas que arrumou, e uma especial, por quem quase trocou a esposa legítima. Percebeu então que tem raízes profundas, uma família constituída e vem procedendo como moleque,esquecendo votos que fez, palavra que empenhou, imagem que criou para os filhos,de pessoa séria e responsável.

São seres humanos que compõem a história da vida. É gente como a gente, com crise no casamento,choques de gerações entre pais e filhos, ausência inexplicável no convívio doméstico, excesso de trabalho que parece ter se tornado uma coisa patológica… precisando de repente ser chamado à realidade.

Não espere uma desgraça maior acontecer para se dar conta de que há algo errado em seu dia a dia.Reflita hoje sobre o que está na Palavra de Deus para nós, em Mateus 6. 31 – “Não andeis, pois inquietos, dizendo: “Que comeremos ou que beberemos ou com quenos vestiremos? Por que todas essas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai Celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas; mas buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo”.

Antenor Ribeiro

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