Dilma e Aécio em pé de igualdade

Aécio Neves atropela na reta final

O resultado final do primeiro turno da eleição presidencial surpreendeu a muitos. Pesquisas ruiram e os números das urnas mostraram que o eleitorado real nem sempre é alcançado pelas consultas populares divulgadas. Mesmo com margem de erro, as pesquisas divulgadas erraram. Marina Silva ficou em terceiro e o percentual do ex-governador mineiro foi maior do que se imaginava.

O PT chegou a ter ilusão de vencer a corrida presidencial no primeiro turno. Em determinado momento, com o crescimento da candidatura de Marina Silva, após a morte de Eduardo Campos, imaginou que a enfrentaria num eventual segundo turno. Porém, na reta final foi o candidato mineiro que atropelou por fora e chegou com consistentes 34% do eleitorado.

Dilma Roussef teve mais votos do que os números da aprovação ao seu governo. Venceu em duas grandes regiões: Norte e Nordeste. Já fala mais suavemente sobre a adversária derrotada, certamente pensando em angariar votos de seus eleitores. Na campanha, porém, teve comportamento agressivo, questionando a ex-companheira de PT e suas convicções. Neste momento, porém, como é comum na política, a aproximação se faz necessária e a mudança de discurso é feita sem qualquer constrangimento.

Nos próximos dias a campanha retorna ao rádio e Tv, com 20 minutos divididos ao meio. Cada candidato terá 10 minutos para seu programa. Novos debates devem ocorrer e agora com mais tempo para questionamentos e explanação do programa de governo, que Dilma e Aécio só apresentaram nos últimos dias. E a atual presidente precisa esclarecer qual será o novo plano de governo, já que os números atuais são ruins. A economia ruiu, a inflação aumentou, o desemprego cresceu, o dólar está em ascensão e os escândalos estão se multiplicando. O TSE recebeu denúncias de uso dos Correios em favor da candidata chapa branca e desfavor do candidato do PSDB.

A máquina do governo foi utilizada e isso foi visível até mesmo quando a presidente utilizou instalações do governo para sua campanha. Afinal, já que a legislação não exige o afastamento do cargo, as determinações sobre uso de instalações públicas, deveria valer para todos. Quando a presidente viaja na condição de chefe de estado e sua equipe de campanha vai junto para produzir material, não deixa de ser também uma utilização indevida. Ao fazer pronunciamentos como candidata, em dias onde não há agenda de campanha, mas em espaços palacianos, também a candidata dá mau exemplo. Nessa condição deveria estar sempre no espaço do comitê eleitoral e não onde atua como presidenta da república. Há quem analise desta forma, e também quem entenda que o procedimento não fere a legislação.

Aécio Neves reapareceu como o candidato que pode desbancar o PT do poder. Neto de Tancredo Neves, o primeiro presidente eleito ainda no período da ditadura, destronando os militares, ele usou o discurso do avô logo após a confirmação dos números que o colocaram nos segundo turno. “Não nos dispersemos”, disse, lembrando o politico eleito presidente e que não assumiu o mandato, vitimado por uma doença.

O clima, na segunda-feira, é de ressaca eleitoral. Enquanto alguns comemoram, outros lamentam a perda de cargos e ainda outros a não realização de um sonho. Ao eleitor resta a expectativa do que virá para o segundo turno da Eleição Presidencial.

Antenor Ribeiro – Destaknews

 

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