Corpo de Oscar Niemeyer chega ao Rio

Avião com o corpo de Niemeyer chega ao Rio para velório no Palácio da Cidade

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com o corpo do arquiteto Oscar Niemeyer aterrissou às 22h04 no Aeroporto Santos Dumont. Um carro funerário já aguardava na pista. O corpo foi transportado até o veículo por militares da Aeronáutica do 3º Comando Aéreo Regional (3º Comar).

Do aeroporto, o carro segue escoltado por oito motociclistas da Guarda Municipal até o Palácio da Cidade, em Botafogo, na zona sul, onde Niemeyer será velado. Durante a noite, o velório será reservado apenas a parentes e amigos. O acesso do público será permitido a partir das 8h de amanhã (7).

“Perdi um amigo, perdi tudo, vai ser difícil”, diz mulher de Niemeyer

Da Agência Brasil Rio de Janeiro – A mulher do arquiteto Oscar Niemeyer, Vera Niemeyer, disse há pouco que perdeu a pessoa mais importante de sua vida. Visivelmente abalada, a viúva do arquiteto conversou com jornalistas na porta do Hospital Samaritano, onde Niemeyer morreu ontem (5) depois de ficar internado por mais de um mês. “Perdi a pessoa que eu mais gostava no mundo. Perdi um amigo, perdi tudo, vai ser difícil.” Vera lembrou que, mesmo no hospital, o arquiteto se preocupava com a rotina de trabalho de sua empresa e pedia a ela informações sobre o andamento de alguns projetos. A esposa de Niemeyer disse que ele ficou lúcido quase na totalidade dos mais de 30 dias em que ficou internado e que, um dia antes de morrer, pediu para comer um pastel e tomar café. Vera Niemeyer informou que vai se empenhar para realizar um dos últimos desejos do arquiteto: a produção de um livro que o casal faria junto sobre artes e centros culturais. Oscar Niemeyer morreu na noite de ontem (5), no Hospital Samaritano, em Botafogo, onde estava internado desde o dia 2 de novembro, vítima de complicações renais e desidratação. Por causa de uma infecção respiratória, o arquiteto que estava na unidade intermediária do hospital, ficou sedado e respirando com auxílio de aparelhos. Niemeyer morreu às 21h55. Ele completaria 105 anos no próximo dias 15.

Brasil perde o seu mais importante arquiteto: morreu Oscar Niemeyer

Douglas Corrêa Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Morreu no Hospital Samaritano, em Botafogo, onde estava internado desde o dia 2 de novembro, vítima de complicações renais e desidratação, o arquiteto Oscar Niemeyer, de 104 anos. O quadro de saúde de Niemeyer piorou nas últimas horas, e o boletim médico assinado esta tarde pelo médico intensivista Fernando Gjorup indicava piora “no estado clínico do arquiteto”. Por causa de uma infecção respiratória, o arquiteto que estava na unidade intermediária do hospital, ficou sedado e respirando com auxílio de aparelhos. Niemeyer morreu às 21h55. Ele completaria 105 anos no próximo dias 15. Símbolo da vanguarda e da crítica ao conservadorismo de ideias e projetos, o carioca Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho, de 104 anos, que morreu na noite desta quarta (5), é apontado como um dos mais influentes na arquitetura moderna mundial. Os traços livres e rápidos criaram um novo movimento na arquitetura. A capital Brasília é apenas uma das suas numerosas obras espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Dono de um espírito inquieto e permanentemente em alerta, Niemeyer lançou frases que ficaram na memória nacional. Ao perder mais um amigo, ele desabafou: “Estou cansado de dizer adeus”. Em meio a um episódio de mais violência no Rio de Janeiro, perguntaram para Niemeyer se ele ainda se indignava, a resposta foi rápida e objetiva. “O dia em que eu não mais me indignar é porque morri.” Em 1934, Niemeyer se formou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. De princípios marxistas, ele resistia ao que chamava de arquitetura comercial. Até 2009, ele costumava ir todos os dias ao escritório, em Copacabana, no Rio de Janeiro. A frequência caiu depois de duas cirurgias – uma para a retirada de um tumor no cólon e outra na vesícula. Em 2010, foi internado devido a um quadro de infecção urinária. Ao longo da sua vida, Niemeyer associou seu trabalho à ideologia. Amigo de Luís Carlos Prestes, ele se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e emprestou o escritório para organizar o comitê da legenda. Durante a ditadura (1964-985), ele se autoexilou na França. Nesse período foi à então União Soviética. Em 2007, Niemeyer presenteou Fidel Castro, ex-presidente de Cuba, com uma escultura na qual há uma imagem monstruosa que ameaça um homem que se defende com a bandeira de Cuba. No mesmo ano, foi alvo de críticas pelo preço cobrado, no valor de R$ 7 milhões, pelo projeto de construção da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. Independentemente das polêmicas, Niemeyer se transformou em sinônimo de ousadia com a construção de Brasília. Os cartões-postais da cidade foram feitos por ele, como a Igrejinha da 307/308 Sul, construída no formato de um chapéu de freira cuja obra durou apenas 100 dias. O Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência da República, foi o primeiro edifício público inaugurado na capital, em junho de 1958. Na obra, Niemeyer colocou os pilares na fachada do prédio para simbolizar o emblema de Brasília. A sede do governo federal, o Palácio do Planalto, compõe o conjunto de edifícios da Praça dos Três Poderes onde estão os prédios do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional – formado por duas semiesferas simbolizando a Câmara dos Deputados (voltada para cima) e o Senado (voltada para baixo). Porém, um dos símbolos mais visitados da capital é a Catedral Metropolitana. Construída como uma nave, o acesso ao prédio é possível por meio de uma passagem subterrânea. No teto da igreja, há anjos dependurados. Em janeiro deste ano (2012), Niemeyer enterrou a filha Anna Maria, de 82 anos, que morreu em consequência de um enfisema pulmonar, no Rio. Desde então, segundo amigos, o arquiteto passou a sair menos de casa e ficou mais fechado.

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