Fifa absolve colombiano Zúñiga

Impunidade perigosa

Gosto de futebol desde garotinho. Em 1958 tinha apenas 7 anos e a recordação é mínima da primeira Copa que o Brasil ganhnou. Em 62, porém, lembro que acompanhei os jogos no rádio, com narração de Jorge Curi, da rádio Nacional do Rio de Janeiro. De lá para cá me aproximei mais do esporte, praticando-o e também sendo repórter, comentarista e também narrador de futebol por um tempo. Gostaria de ter participado mais das equipes esportivas das emissoras onde trabalhei, mas meu setor principal era outro.

Das regras do futebol sei o básico. É um esporte de contato físico, porém os árbitros devem punir as faltas cometidas, exatamente quando este contato físico traz prejuízo ao atleta atingido. Jogar o corpo sobre o outro, é falta. Dar um tranco legal, no ombro, ganhando a jogada do adversário, é permitido. Aquela falta da mão na bola ainda tem muita controvérsia até hoje. “Mão na bola” é uma coisa. “Bola na mão” é diferente. Se o jogador usa a mão para tirar vantagem… e nisso inclui todo o braço, é preciso marcar falta. E aplicar até o cartão amarelo. Quando, porém, o braço está junto ao corpo e a bola tocou ao ser chutada, até mesmo na mão… nada a marcar.  Segue o jogo.

Mordida não vale nunca. Suárez agora deve ter aprendido a lição. Após morder pela terceira vez, protagonizou uma cena inédita em Copa do Mundo. Vai pagar um alto preço. Suspenso de nove jogos pela FIFA, com mais alguns meses e multa pecuniária. Para alguns houve até excesso.

zuniga_neymar_reu_95Joelhada nas costas, atingindo a coluna, tirando o jogador da partida e quebrando uma vértebra, não pode. A falta deve ser marcada e o cartão vermelho apresentado. Isto é agressão. Notadamente no caso de Zúñiga, colombiano que tirou Neymar da partida contra o Brasil, ele visou apenas o adversário. A imagem mostra que ele ignora a bola e vai às costas do adversário. Premeditou a falta. Para o árbitro da partida não foi falta. Seguiu o jogo. Ele poderia ter aplicado a vantagem no lance. Posteriormente poderia apresentar o cartão amarelo ou vermelho para o atleta. Não fez nem uma coisa e nem outra.

A Fifa foi chamada à responsabilidade através do seu Comitê Disciplinar. E aí, pasmem! O colombiano não será sequer advertido. Ou seja, a pancadaria está liberada. Essa é a impressão que fica da decisão tomada pela entidade que dirige o futebol mundial.

O atleta em questão, na mesma partida, cometeu falta grave sobre o jogador Hulk, atingindo-o no joelho, com risco para a integridade física do brasileiro e também não foi advertido. Doravante ele pode se sentir autorizado a distribuir socos e pontapés nas partidas das quais participar, pois a impunidade da qual é beneficiário, sugere que a Fifa só não gosta de mordida. O resto, pode!

Antenor Ribeiro – Destaknews

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