Excluídos

Que sabe o mundo da história do esfarrapado vagabundo que trôpegamente vai pela calçada, cantarolando uma música antiga, triste e que diz de amor? Nada sabemos dos motivos e razões do olhar sem brilho da mulher que arrasta pelas mãos a criancinha chorosa. Muitas palavras se perdem, quando endereçadas à pessoas assim, justamente por que as marcas são muitas e feitas das mais variadas formas.

Um motivo existiu pra a perda de tantos anos de jovens ainda, que se enturmaram para superar recalques, esconder fraquezas, ocultar defeitos. Uma razão desconhecida sempre existirá para tantos dramas que se mostram à luz do dia, e dos quais às vezes não tomamos conhecimento, ou preferimos ignorar, preocupados em demasia com nosso próprio dia a dia.

Um dia em sua vida, pare algum tempo numa esquina, observando os que passam, e depois por certo irá se sentir bem mais disposto a encarar um problema que talvez o estivesse amedrontando. O riso não é fácil, pois o pranto se esconde em muitos olhos esbugalhados, horrorizados ou descrentes. Os lábios abertos nem sempre estão a sorrir. Muitas vezes assim permanecem devido à fome que ronda a tantos que se sacrificam pelas ruas para deixar em casa algo que sirva de sustento à pequenos seres, indefesos e inocentes.

Talvez ao rodar pelas ruas, encontre pessoas falando sozinhas, gesticulando sem parar ou observando o nada. Estas, decerto, estão bem próximas de um extremo perigoso, que pode conduzi-las a um local triste e indesejável, onde a razão inexiste nos que pedem entrada. Uma palavra, um consolo, mesmo um conselho, que para muitos não vale nada, pois não é cobrado, podem servir e muito à quem vai calando dentro de si até a voz do coração.

Pelas ruas muitos choram. Só não demonstraram seu pranto em lágrimas derramadas, devido a uma vergonha interior, que dita um retraimento que faz sofrer ainda mais. Deixar a vida, esconder-se, voltar atrás no tempo, refazer. As pessoas pensam em muitas coisas em mínimas frações de tempo. Pensar a dois, dialogar, sempre foi mais fácil. Hoje em dia se conversa pouco ou quase nada sobre coisas importantes. Muitas vezes irmãos, convivendo numa mesma casa, ficam dias e dias sem trocar idéias, cumprimentando-se simplesmente por uma questão de hábito.

Que triste quando alguém parte e ninguém conseguiu saber das suas dores, cicatrizes, marcas.  Poucos procuram saber o que vai dentro do outro, pois às vezes não conhecem nem a si mesmos. E que lugar ocupa Deus na vida destas pessoas?

Antenor Ribeiro – Destaknews

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *