CPMI muda relatório final e pede indiciamentos

A CPMI da Petrobras, composta por maioria governista, aparentemente não quer ficar na contramão da opinião pública que acompanha o desenrolar do escândalo da Petrobras e muda o relatório final. A princípio o relatório final era muito superficial e quando ousou, pediu para “aprofundar as investigações”. Como vários componentes da CPMI continuarão com mandato e cogitam permanência na atividade política, não quiseram permanecer no “rolando lero”.

Em intervenção ocorrida nesta quarta-feira, o relator da CPMI, deputado Marco Maia (PT-RS), apresentou uma complementação de voto especificando o pedido de indiciamento das pessoas para as quais, na versão inicial do relatório, havia a indicação de “aprofundar as investigações”. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, por exemplo, foi indiciado por crime de participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. No total, são 52 pessoas com pedido de indiciamento.

A mudança no relatório deve ter sido negociada com o governo, pois os discursos mudaram no Congresso e já se fala em saída de Graça Foster e toda a diretoria, que não teriam condições “políticas” para prosseguirem nos cargos e na tentativa de recuperação da maior estatal brasileira. Especulava-se que seria um “suicídio politico” dos situacionistas a apresentação de um relatório final tão superficial e protegendo elementos que já estão indiciados pelo juiz Sergio Moro, que está à frente do caso em Curitiba, onde teve início a Operação Lava Jato, que vem apurando toda a corrupção denunciada na Petrobras.

No relatório original, o deputado situacionista Marco Maia pedia que o Tribunal de Contas da União reavaliasse a decisão que considerou que a compra da Refinaria de Pasadena tinha causado prejuízo de US$ 792 milhões. Agora, entretanto, o relator disse ter recebido novas informações da Controladoria Geral da União (CGU), e admite que a compra da refinaria gerou prejuízos. “Nós estamos portanto, admitindo no relatório desta CPMI que há prejuízo potencial de US$ 561,5 milhões no negócio de Pasadena”, disse Maia ao apresentar a retificação. Á época dessa compra a presidenta Dilma Roussef estava à frente do Conselho de Administração da Petrobras. Ela, porém, não é citada no relatório.

Logo após as correções apresentadas pelo relator foi a vez de a oposição começar a leitura do seu voto em separado, que pede o indiciamento de 59 pessoas e instauração de inquéritos contra 36 pessoas citadas nas investigações da Operação Lava Jato, além de responsabilizar a presidenta Dilma Rousseff por improbidade administrativa na compra da refinaria norte-americana. Esse voto poderá ser incorporado por Marco Maia ao seu relatório principal, ou ser votado como alternativa ao dele.

Antenor Ribeiro – Destaknews

Com AG. Brasil

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *