Chorão será sepultado em Santos

Centenas de fãs, que enfrentaram chuva durante a madrugada desta quinta-feira (7), se despediram do cantor Chorão, no ginásio Arena Santos, em São Paulo.

O corpo de Alexandre Magno Abrão, que tinha 42 anos, chegou por volta das 21h50 dessa quarta-feira (6/3) sob aplausos de amigos, familiares e das pessoas que admiravam o trabalho do cantor. As portas do ginásio foram abertas pouco depois das 23h e, com skates e fotos dele, os fãs prestaram as últimas homenagens.

A família do músico ainda não divulgou o horário de encerramento do velório. O enterro será a partir das 17h de hoje, no Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos, de acordo com a família do artista.

Além dos fãs e familiares, amigos famosos do cantor foram à Arena Santos para prestar as últimas homenagens. Os integrantes do Charlies Brown Jr. e da banda NX Zero compareceram ao velório, assim como o skatista Sandro Dias, o Mineirinho.

O Santos Futebol Clube chegou a oferecer o salão de mármore para a homenagem, mas a família de Chorão já havia confirmado a utilização do ginásio esportivo que, antes do início da tarde, já começava a ser preparado para o velório.

A cerimônia foi iniciada a portas fechadas, apenas para a família e amigos próximos. Por volta das 23h05, fotógrafos e cinegrafistas puderam entrar no ginásio poliesportivo para fazer imagens, mas a reportagem da Folha também obteve acesso ao local.

As pessoas mais próximas ao caixão eram o skatista Sandro Dias, o “Mineirinho”, o guitarrista do Charlie Brown Jr., Marcão, e Ingrid Franco, 22, fã do cantor e skatista, acompanhada de sua mãe, Adriane.

Familiares e amigos velam o corpo de Alexandre Magno Abrão, o Chorão, do Charlie Brown Jr. na Arena Santos, em Santos Leia mais

Mais cedo, Ingrid disse à Folha que “morreu junto” com Chorão, que estimulou sua família a se mudar de Porto Alegre para Santos para treinar na pista de skate construída pelo artista.

O velório acontece com caixão fechado. Sobre ele, está a bandeira fúnebre do Santos Futebol Clube, time do coração de Chorão, oferecida para santistas ilustres pelo próprio clube em situações como essa.

Na arquibancada, estão amarradas uma bandeira do Brasil e uma bandeira da Torcida Jovem, principal organizada do Santos.

Cerca de cem pessoas acompanham a solenidade, que dentro de poucos momentos deve ser aberta ao público. De acordo com informações da polícia, que faz a segurança no local, não será permitido que os cerca de 500 fãs presentes fiquem muito tempo perto do caixão. Eles devem prestar suas últimas homenagens ao ídolo num fluxo contínuo.

Ídolo igual aos fãs

Skatista desde os 14 anos, Alexandre Magno Abrão, o Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr, formou a banda em 1992 basicamente para tocar em competições do esporte, em Santos (SP), para onde se mudou aos 17 anos.

Em 1997 veio o estouro. “Transpiração Contínua Prolongada”, o disco de estreia do grupo (500 mil cópias vendidas) lançado pela gravadora Virgin e produzido por Rick Bonadio, tomou de assalto as rádios com “O Coro Vai Comê”, um single cuja introdução era de uma divertida petulância juvenil (“Meu, tu não sabe o que aconteceu: os caras do Charlie Brown invadiram a cidade!”).

E invadiram mesmo. À frente da banda estava Chorão, um vocalista carismático e explosivo, no palco e fora dele, que melhor representava a estética musical da banda, uma mistura de skate, punk rock californiano e hip hop. No ano seguinte, a banda foi catapultada pelo prêmio de “banda revelação” no Video Music Brasil, da MTV, então com prestígio à toda.

Autor da maioria das canções que gravou, retratava nas letras os perrengues de uma classe média sufocada por seguidas crises econômicas, a vida na praia, as competições de skate e as conquistas amorosas, sempre com total desapego por qualquer verniz cultural (“Eu não sei fazer poesia / mas que se foda”).

Único membro da formação original a nunca deixar a banda, era dele o direcionamento artístico do grupo, que lançou nove discos de músicas inéditas, duas coletâneas, um disco acústico e dois ao vivo, que juntos venderam mais de cinco milhões de cópias.

Com uma agenda de shows lotados e praticamente um novo disco por ano, consolidou a carreira despejando hits nas rádios e clipes na TV. Entre os sucessos mais conhecidos estão “Te Levar”, que foi tema da novela “Malhação” até 2006, e “Proibida Pra Mim”, regravada pelo cantor Zeca Baleiro. O clipe da música original tinha no elenco a então assistente de palco do Gugu Alessandra Scatena e a atriz Luana Piovani.

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