Briga banal

Quando virei a primeira esquina me deu vontade de voltar. Nossa despedida não podia ser daquela forma. Nunca foi assim antes. E não queria ir sem resolver esta questão.

O que você falou me pareceu uma cobrança descabida e minha resposta já foi uma agressão. Seu tom de voz era totalmente diferente do que eu conhecia até então. E lembro que falei mais alto, numa simples reação.

Acho até natural que reclame do que fiz, mas me pareceu uma coisa tão pequena. Sua ira era desproporcional. Reclamar de um banheiro “bagunçado”.

Fiz a volta no quarteirão e voltei para resolver a situação. Quando entrei em casa, você nem percebeu. Já estava arrumando a mesa, onde tomamos café sem trocar uma palavra. Estava tão linda, na simplicidade daquele vestido que mais parecia um camisão.

Ao perceber minha presença me olhou parecendo assustada. Há momentos em que as palavras são desnecessárias. Quando abri os braços você já veio para mim. Eu não disse nada e seus olhos pareciam dizer tudo. Meus dedos a tocaram e pareciam lhe passar  um código. O coração batia forte. Parece que o mundo parou. Foi um instante breve, mas intenso. Não era preciso dizer nada. Retornar tão rápido para lhe abraçar, já era pedir perdão. Um pedido tímido, um desejo compartilhado, calado com um beijo. Não posso nunca sair sem ouvir sua voz suave me dizendo: – “Bom Dia Meu Amor”!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *