Bate boca entre ministros suspende sessão do Supremo

Sessão do Supremo é suspensa após bate-boca entre ministros

Brasília – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu suspender o julgamento do recurso do ex-deputado federal Bispo Rodrigues (PL-RJ), atual PR, após um bate-boca entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. No julgamento no ano passado, Rodrigues recebeu pena de seis anos e três meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A sessão de hoje (15) foi suspensa após uma discussão acalorada entre Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa. O desentendimento começou quando o presidente da Corte passou a discordar dos argumentos de Lewandowski. Barbosa disse que o ministro queria rediscutir a condenação, fato que não é possível nos embargos de declaração.

A partir daí, começou o bate-boca, iniciado por Barbosa: “Não acho ponderável o que Vossa Excelência está querendo, reabrir uma discussão”, disse.  Em seguida, Lewandoski rebateu: “Para que servem os embargos?”.

O clima ficou mais tenso e Lewandowski disse: “Estamos com pressa do quê? Queremos fazer justiça”. Logo em seguida, Barbosa rebateu novamente: “Fazemos o nosso trabalho. Não fazemos chicana”.

Lewndowski pediu que Barbosa se retratasse, mas o ele respondeu que não irá se retratar.“Não vou me retratar”, disse. A sessão foi suspensa e será retomada na próxima quarta-feira (21).

Bispo Rodrigues foi acusado pelo Ministério Público (MP) de receber R$ 150 mil do esquema. Segundo o MP, o saque foi feito em uma agência do Banco Rural, em dezembro de 2003.

No recurso, o principal argumento utilizado pela defesa é que houve uma falha no cálculo da pena de corrução passiva. Segundo a defesa, ele foi condenado com base em uma legislação mais grave que trata do crime de corrupção passiva, e o recebimento do dinheiro teria ocorrido na vigência da legislação mais leve.

Manobra para dificultar andamento do processo

Tanto no Judiciário quanto no Legislativo é possível perceber as “chicanas”, cujo único objetivo é verdadeiramente procrastinar. Em redes sociais o Ministro Lewandowski já foi citado, inúmeras vezes, como alguém que sempre deixou transparecer que pretendia ajudar os “mensaleiros”. Algumas manobras, mesmo que com o escopo próprio do Judiciário, saltam às vistas. E nas suas intervenções quando do julgamento dos denunciados no processo conhecido como “Mensalão”, o ministro escancarou uma condição de “advogado do diabo”, atenuando inclusive condenações, indo na contramão de colegas do plenário. Resta claro que o membro do Poder Judiciário não pode estar atento apenas ao “clamor popular”, mas também não pode estar agindo como defensor de acusados, quando as provas coletadas são tão contundentes quanto as que foram anexadas aos autos.

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