As drogas fazem mal

Lembro que na minha juventude os pais costumavam prevenir a nós, filhos, sobre as companhias com as quais devíamos andar. Quando alguém era apontado como “maconheiro”, era para se manter distância do dito cujo. E alguns grupos ficavam marcados nas vilas da cidade, ou na área central, onde tinha o tal “muro da vergonha”, na Praça Marechal Floriano Peixoto em Londrina. Por ali acontecia o “footing” aos sábados e domingos.

E quando acontecia de alguma violência sexual ocorrer, com a “curra” de uma jovem, logo eram apontados os maconheiros como autores. E, via de regra, eram eles mesmos os autores do estupro. Na época do crime da Neila Ribeiro, uma menina que foi estuprada e morta por um grupo de jovens londrinenses, a cidade inteira comentava que “alguns maconheiros” haviam cometido o crime.

“Curradores” ou estupradores, os viciados em drogas continuam constituindo perigo para a sociedade. A realidade, porém, é diferente em 2013. A maconha continua sendo traficada, pois seu consumo não está liberado, como querem alguns. Seus defensores costumam até dizer que ela tem fins medicinais. E pode ter, é certo, mas seus efeitos são mais nocivos do que positivos na maioria dos casos. Outras drogas foram inseridas na realidade dos jovens brasileiros. As baladas de hoje em dia, as festas chamadas “Raves”, os bailes “Funks” e outras promoções do gênero, não têm só o componente da bebida alcoólica. O Ecstasy está presente, a cocaína é consumida, o crack é fumado e vai por aí. Portanto, os pais não podem mais simplesmente alertar para o perigo dos maconheiros.

Aparentemente a educação moderna contribuiu para que nem se fale mais com os filhos a respeito do perigo das drogas. E a vida dos casais, onde pais e mães saem para trabalhar e deixam os filhos aos cuidados da “Babá Eletrônica”, a Tv, também contribuiu para que a prevenção seja mínima.

Se os pais não previnem na educação doméstica, na escola os professores têm dificuldades para aplicarem lições de conhecimento e sofrem também com o comportamento destes jovens que se sentem “donos do próprio nariz” e se julgam sábios suficientes para definirem o que presta e o que é nocivo.

Na atualidade, quando a mãe começa a se preocupar com o horário que a filha anda voltando para casa, já é tarde para tomar alguma atitude. Quando o pai se dá conta de que não sabe nada da vida do filho, este já lhe fugiu ao controle.

O discurso de jovens que se entregaram à qualquer uma das drogas, sobre a necessidade de liberação das mesmas por parte do governo, é recheado de lugares comuns, da escola da rua, onde os “perdidos da noite” não são seguidores do programa antigo da Tv. Não será o Dr. Bactéria que mostrará nocividade da droga na vida dos jovens. Compete à família mudar este quadro. E para tanto será preciso reassumir a responsabilidade pela educação dos filhos. Educação no sentido amplo, que não apenas matricular numa escola e esperar que a “tia” ensine tudo que o jovem precisa aprender. Pais precisam voltar a exercer a paternidade no seu sentido amplo e geral. Voltar a dizer “não” e impor limites é um bom começo.

Antenor Ribeiro

O autor é jornalista, radialista e editor do www.destaknews.com.br

 

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