A crise e a farra dos preços

Nos últimos dias o Brasil acompanhou o movimento dos caminhoneiros demonstrarem ao país o quanto necessita desse serviço prestado. Com uma malha rodoviária extensa e mal cuidada, ou com pedágio caro, o país tem uma política de preços para os combustíveis que é perversa para quem usa diesel, gasolina ou álcool. Após os escândalos envolvendo a Petrobras nos últimos governos, a nova presidência e diretorias da estatal entenderam que a nova política de preços devia acompanhar o preço internacional do petróleo e a variação do dólar. Há controvérsias a respeito deste sistema.

Com a intenção de conseguir a redução no diesel, caminhoneiros se mobilizaram e “pararam o país”. O fato foi constatado e divulgado. Com as redes sociais acionadas foi mais fácil acompanhar todo o desenrolar dos acontecimentos, sem precisar se ater apenas às grandes redes de rádio e televisão. Foi preciso ter um quadro geral mais preciso dos acontecimentos. Havia uma tentativa flagrante de uso político do movimento dos caminhoneiros autônomos.Isso ficou muito claro. Estamos em ano eleitoral. Havia mensagens buscando uma intervenção que o Brasil não precisa nesse momento. E sempre a presença dos “infiltrados” que tentavam desvirtuar a real motivação da paralisação.

O povo, acompanhando tudo que ocorria, enganava-se de certa forma imaginando que álcool e gasolina também poderiam ser alcançados pela redução pretendida pelos caminhoneiros. Isso não foi negociado pelo governo. O que se colocou sempre sobre a mesa visava atender o transporte de mercadorias por caminhões. E com o passar dos dias, o movimento trouxe preocupações antes não imaginadas. O gás acabava, a comida escasseava e os veículos precisavam ficar na garagem por que não havia combustível nos postos.  Como o transporte coletivo urbano foi menos afetado, trabalhadores conseguiam acessar as empresas e só ficaram mais atentos quando nos últimos dias se viu a farra de preços em feiras e mercados.

Reportagens feitas mostraram produtos de Ceasa, como batata, cebola, tomate e outros hortifrutigranjeiros com preços estratosféricos. Tomate a R$ 20 o quilo, batata a R$ 15 o quilo, cebola com preço de fazer chorar. Na outra ponta, aproveitadores que ainda mantinham algum estoque de gasolina, colocando o produto à venda por mais de R$ 15 o litro. Se este quadro persiste, a situação do movimento poderia descambar. A segunda-feira termina com a perspectiva anunciada de que a terça-feira traga a volta da normalidade. Não total, porém gradativa. Os caminhões voltarão a circular e o reabastecimento será retomado. Então será hora de se conferir até onde os aproveitadores avançaram e o que farão as autoridades encarregadas da fiscalização para conter abusos.

O que causa espécie nesta observação é que em algum momento somos todos iguais. Há, porém, quem decida que na crise é hora de praticar a farra dos preços.

Antenor Ribeiro – Destaknews

Um comentário em “A crise e a farra dos preços

  • 2 de junho de 2018 em 6:42 pm
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    O povo é assim mesmo. Se der uma brecha cada um quer levar sua vantagem. E muitos vão rezar depois e se dizem honestos. Este mundo está perdido.

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